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Assufsm realiza seminário em alusão ao mês da Consciência Negra

Novembro, mês da Consciência Negra. Neste ano, a Assufsm organizou 3 dias (16, 17 e 19) de intensos debates sobre pautas que envolvem a população negra, como: racismo institucional, ações afirmativas, movimento de mulheres negras e saúde da população negra.

 

O seminário abriu com a mesa “Racismo Institucional e Ações Afirmativas”, no dia 16 de novembro, quinta-feira. O debate contou com a participação da técnico-administrativa em educação aposentada Ana Lúcia Melo, da escritora e pesquisadora Maria Rita Py Dutra e da técnico-administrativo em educação aposentada da USP e ex-dirigente da Fasubra, Jupiara Castro.

 

semana consciência negra 2017 foto 1

 

Na mesa de abertura, Ana Lúcia, dividiu sua fala em três momento, incialmente sobre a identidade, reforçando a importância de recuperar o processo de identidade das negras e negros; desigualdade, demarcando as consequências do racismo à população negra; e finalmente sobre representação política. Tema central da pesquisa de Ana, nesse ponto foram trazidos quadros comparativos do número de negros e negras que concorrem ao cenário político brasileiro, em contrapartida foi evidenciado que a representação de candidatos e candidatas concorrentes é significativa, mas estes e estas não estão sendo eleitos.

 

Em consonância a isto, Maria Rita Py Dutra mostrou dados relevantes da sua pesquisa sobre a inclusão de cotistas negras e negros egressos da UFSM no mercado de trabalho. Nesse sentido, destacou o abismo social que há entre o número de estudantes cotistas ingressantes comparado ao número de formandos. A pesquisadora acredita que só a educação é capaz de profissionalizar a população negra e a partir dos dados relacionados a permanência, fica evidente a estratégia racista de cada vez mais afastar esta população do sistema educacional.

 

Jupiara Castro reforçou que estes espaços acadêmicos não foram pensados para a população negra e isso explica porque a permanência destes e destas estudantes é tão baixa. Ela destacou que as universidades ainda são dirigidas por uma minoria branca que não compreendem as pautas voltadas a negritude e que o Governo não oferece políticas à população negra, sem antes ter oferecido as mesmas condições à população branca.

 

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A TAE finalizou sua participação lembrando que todos os ataques do atual Governo vão ter um reflexo muito grande na população em geral, mas aos negros e negras, as consequências serão muito maiores, uma vez que estes e estas não terão direito ao estudo, nem ao trabalho, então de que forma seria possível a ascensão. Jupiara criticou ainda o papel das comissões afirmativas que através do processo de auto declaração acabam abrindo brechas para que a população branca ocupe espaços que são de negras e negros e afirmou “as Universidades tem plenas condições de detectar quem é negro ou negra, já que lá fora a polícia faz isso muito bem”.

 

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Encerrando as atividades do 1º dia do evento, no período da tarde aconteceu a mesa “Políticas de Cota e Permanência na UFSM” que tratou de questões relativas às políticas afirmativas de inclusão e apontou a universidade como referência em nível brasileiro. A chefa do Núcleo de Ações Afirmativas Sociais Étnico-Raciais e Indígenas da UFSM, Rosane Brum Melo afirma que a instituição tem buscado se organizar da melhor maneira possível na política de ações afirmativas, levando em consideração também o processo pós-ingresso, ao trazer alternativas de orientações, espaços de convivência, diálogos interculturais e acompanhamento psicológico aos estudantes.

 

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Na sexta-feira, 17, 2º dia de evento, o espaço de fala foi delas mulheres negras que compõe o movimento feminista negro em Santa Maria. A mesa com mediação da TAE Débora Marshall e participação da Cientista Social Andressa Duarte, da integrante do grupo Marias Bonitas Fazendo História Ângela Souza, da jornalista Clara Sitó e da acadêmica do curso de Biologia Leandra Cunha trouxe relatos de vivências, de enfrentamento e luta na busca por mais igualdade de gênero e raça. A importância de existir um movimento de feminismo negro foi realçada, entre tantos aspectos, na falta de referenciais teóricos representativos no ensino e na necessidade de espaços de fortalecimento psicológico mútuo entre mulheres negras. Este movimento tem ganhado força na cidade através de coletivos como a Juventude Negra Feminina de Santa Maria e Marias Bonitas Fazendo História.

 

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Durante a tarde, aconteceu a exibição do curta “Pobre, Preto, Puto” que apresenta a trajetória de militância no movimento negro santa-mariense de Nei D’Ogum. Na oportunidade, a historiadora e integrante do Coletivo Ará Dudu Franciele Oliveira; e a artesã e diretora do coletivo Ará Dudu Carmem Lúcia Coelho Chaves compartilharam sobre as vivências com esta personalidade e sobre o impacto mundial do filme. Durante as inscrições, em meio a lágrimas, presentes relembraram momentos da vida de Nei D’Ogum.

 

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O último dia de atividade da Semana da Consciência Negra 2017 da Assufsm aconteceu na Sede Campestre do Sindicato com uma roda de conversa sobre a saúde da população negra e posteriormente, com uma feijoada organizada pela Casa Afro-Umbandista de Oxum e Xangô.

 

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 O debate teve a participação da fonoaudióloga, Luciéle Ximendes e do enfermeiro Juan Pablo Domingues. Inicialmente Luciéle trouxe aspectos sobre a saúde mental das negras e negros que repercutem também em manifestações físicas e das dificuldades de, num espaço ainda majoritariamente branco, conseguir debater sobre a importância da profissionalização quanto as especificidades da saúde da população negra. Em consonância a isso, o enfermeiro Juan Pablo Domingues apresentou as principais doenças que são mais recorrentes à população negra, explicou métodos de prevenção e frisou a importância das ações afirmativas como um método temporário de garantia de representação negra em cursos na área da saúde.

 

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Após o debate, a Casa Afro-Umbandista de Oxum e Xangô organizou uma fala contextualizando historicamente o surgimento da feijoada e destacando a relevância deste prato para a população negra. Antes de abrir o buffet, a casa apresentou uma dança aos orixás.

 

Veja todas as fotos aqui.

 

Texto: Clara Sitó Alves, jornalista.



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